domingo, 6 de dezembro de 2009

Doce Delicadeza

Para os vinte e poucos anos de Aretha
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Na última madrugada, a chuva bateu na janela com a serenidade de que só é capaz a própria chuva, e perguntou: Aqui é Doce Delicadeza? De dentro da janela, com um sussurro recém-desperto, a moça respondeu: Sim, é aqui. Então a chuva pediu: Abre a janela... A moça abriu-a devagar para não ferir as faces da chuva, e as duas se olharam nos olhos por um instante ad infinitum. Foi quando a chuva, ainda mirando os olhos cristais da moça, disse: Como posso ter certeza? E a moça, com um sorriso ainda mais cristal que os olhos transcendendo a aurora vindoura, lhe abriu suas delicadas asas de papillon.

8 comentários:

Z. disse...

O som do Trovão também é delicado, não há dúvida.
Abraços;

Sunshine disse...

Que bela imagem, Lulih Rojanski!:
Da moça borboleta, das moças de guarda-chuva.

Elaina R. Souza disse...

Muito lindo.

Alexandre Neto disse...

Ela era branca, branca, branca
dessa brancura que não se usa mais,
mas tinha a alma furta-cor.

Do Mario Quintana pra você, Lulih.

julio miragaia disse...

delicado leve e adocicado conto esse teu.

Lulih Rojanski disse...

Z, Sunshine, Elaina, Alexandre e Júlio...

Nestas férias, vamos para Doce Delicadeza?

Maria disse...

Que lindo-lindo, mais que lindo...

Fábio Luis Neves disse...

Papillon Inocentia!Como termina Visconde de Taunay a obra Inocência...
A Aretha voa fora das asas com o texto da Lulih e atinge a verdadeira poesia!