segunda-feira, 27 de abril de 2009

Quadro silencioso

Da série Breves Contos


Posto à margem pelos cachorros da casa, o gato dorme impávido sobre o dicionário aberto na mesa, a pata delicada e branca pousada na palavra segregacionismo. No canto oposto da mesa, as formigas devoram o doce esquecido pelo homem. A postos, os cachorros esperam que o homem venha abrir a porta para a corrida festiva nas ruas povoadas de folhas e odores de outros cães. À margem da vida nas alamedas do outono vindouro, o homem dorme incólume sobre o livro aberto na cama, a mão envelhecida e pálida abandonada num conto de solidão.

9 comentários:

renato_oliveira disse...

Olá Lulih!

Belo texto "silencioso" escrito pela mão de uma mulher aparentemente serena!

Sabe que de todos estes animais,nomeadamente o racional, o gato é o mais independente!

Beijinho,

Renato

Jac. disse...

Homem e gato se aproximam em suas solidões
já consentidas, cheias de resignação!

Abraço carinhoso!
Que gosto dessas palavras e sentimentos!

Pepê Mattos disse...

...plangt!... plangt!... plangt! as patas do gato no telhado de zinco... plangente as cordas do relógio de parede... eis que descuido do pão com manteiga assado na frigideira... chhhhhh!!!... plangt!plangt!plangt!plangt!plangt!... o gato corre assutado do frigir do tempo... os ponteiros do relógio permenecem paralisados... visita breve... a admiração é recíproca desde os tempos do Philologus... abraços...

Monday disse...

eu acho que os cachorros é que sabem levar a vida ... rsss ... qualquer coisa é festa!

Z. disse...

Um grande abraço pelo aniversário. Salud, felicidad. You are like the moon underneath the clouds that ever go rolling. Abraços. Z.

Lulih Rojanski disse...

Renato,
Serena? Nem tanto...

Jac.,
Pois é, a solidão da segregação silenciosa que há entre eles todos.

Pepê,
Nossa... eu não lembrava do Philologus...

Monday,
Cahorros, crianças e loucos são ímpares...

Z.,
Obrigada pela lembrança.

Maria Rojanski disse...

Muito sério esse quadro que nos apresenta, mas muito bonito, também.
Gostei muito desse pequeno conto; é um pequeno conto cheio de significados: ao mesmo tempo que triste, vi-o cheio de vida e sonho.
Um beijo, mãe.
Te amo.

Paulozab disse...

Vi também mnsagem bem bonita, não apenas na mesa da tua ksa ou dos cães da tua ksa, mas nas pessoas que ficam sentada em um canto vendo tudo isso acontecer.

Hey Luli, sei que conheces o blog do Palafita, mas já visitastes o Contador de Histórias? É sobre coisas cotidianas também www.o-contador.blogspot.com

Há braços!!!

Lulih Rojanski disse...

Maria,
Minha Lailai..

Zab,
Conheço e visito.
Há.