quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Túnel do tempo

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Acreditem: levei 30 anos para aprender a letra de uma das canções que mais me encantaram quando eu era uma pré-moça. Se por aqueles dias alguém com poderes para previsões tivesse me dito você vai saber cantar esta música... daqui a 30 anos, eu teria tido um arrebatamento, uma síncope, uma crise existencial. Como é que eu ia saber o que eram 30 anos adiante? Era a mesma noção que eu teria hoje de 300.

Testei isto em minha filha mais nova, minha pequena bailarina, quando ela pediu pela trigésima vez sua sonhada sapatilha de ponta. Você vai ganhar... daqui a 30 anos! E fiquei esperando a reação. Foi de total descrédito. Os adolescentes não acreditam em nada do que a gente diz... mas fazem menos dramas.

Pois quem imaginaria? Aprender aquela música foi um dos meus maiores desejos, quando meu acesso aos discos, aos aparelhos eletrônicos, à sintonia das rádios era difícil.

30 anos, e assim, quase do nada, pesquisando umas coisas nas veredas do google, me encontro com ela, clara, transparente, com todas aquelas mágicas palavras que fizeram o encanto dos meus 13 anos: a letra. Embora na época eu não percebesse, já era a letra que primeiro me chamava a atenção.

O tempo brinca mesmo com a cara da gente. Literalmente, inclusive. Durante os 30 anos eu não procurei pela canção, embora esporadicamente me lembrasse dela, e nunca mais a ouvi em lugar nenhum. Eu podia ter aproveitado um milésimo desse tempo para procurá-la e provavelmente a teria encontrado, uma vez que eu sempre soube quem é o compositor. Mas o tempo sempre me desviou para outras viagens, outras ideias, outras canções.

Eu devia saber que ela havia de me chegar um dia. Estava escrito. Não preciso dizer que agora a tenho cantado diariamente, envolta numa espécie de espiral do túnel do tempo.

Não esperem que eu diga de que música se trata. Desnecessário. O encanto está no sentido que o tempo lhe deu, no que ela representa para minha vida. Se fosse possível cantá-la pelo blog, então eu a cantaria.

6 comentários:

aline disse...

Entendo a Júlia. 30 anos? Caramba, muito tempo... Surtaria! O tempo realmente tem um grande sentido por mais que as vezes seja irritante a espera, mas o sentindo que ele dá às melhores coisas da vida vale sempre a pena esperar, com o tempo tudo se encaixa, tudo funciona.
Mas eu quero saber qual é a musica, ta?
Beijo.

Sunshine disse...

Quero arriscar um palpite. Lucy in the sky with diamonds?

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Adorei!

Lulih Rojanski disse...

Aline,
Passa lá pelo balcão, que eu canto pra você.

Sunshine,
Poderia ser. Mas não façamos mistério... ela só é especial pra mim. Acho.

Rebeca e Jota Cê,
Muito prazer.

neo-orkuteiro disse...

Que graciosa a maneira como você compartilha experiência tão pessoal, em sua vertente cronológica, Lulih.
Tive muitas experiências parecidas com esta sua. Guardo num arqauivo eletrônico umas mil e poucas letras de canções que gosto, a quase totalidade delas são canções antigas, bem antigas. Algumas deleas inclusive anteriores ao "meu tempo", são do tempo dos meus pais e eu os ouvi muito amiúde cantorolarem-nas. Agumas possuem letras muito bem compostas. Outras o que me agrada nelas é tão somente o rítimo, ou a interpretação vocal ou instrumental, e todos os etcéteras.
Quando conheci o Yopu Tube, fiz questão de tomar verdadeiros porres de vozes como Janis Joplin, Ella Fitzgerald, Edit Piaf, Elis Regina, Mercedes Sosa, Dulce Pontes, Ithamara Koorax, e por aí vai. Amo-as todas.
Também passei a conhecer bem melhor o trabalho de muitos artistas cuja obra aprecio, e a lista felizmente é bem longa. Alguns inclusive eu desconhecia completamente.
Ouço atualmetne - por não ter defesa, mesmo - muita coisa que considero de indiscutível mau gosto, que me assalta os tímpanos mais ou menos exigentes em geral numa altura que considero desreipeitosa. Fazer o que, né?
Mas nem tudo está perdido. Boa música como havia no passado continua havendo, apesar de geralmente não conseguir muita divulgação.
Certas canções que ouço...
Beijo

Ernâni Motta disse...

Lulih, você me fez lembrar que, pelos anos 1960, se não estou enganado, os irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle compuseram uma música, em que recomendavam que não acreditássemos em quem tivesse mais de "30 anos". O tempo passou, eles, eu e toda nossa geração, hoje, estamos com mais de "30 anos",e certos de que as pessoas com mais de "30 anos" são tão merecedoras de crédito, ou não, quanto as que ainda não chegaram lá. Poder dizer, portanto, que se tem mais de "30 anos" é dizer que ganhamos experiência, equilíbrio, fizemos novas descobertas, inclusive aquelas que queríamos fazer e, por um motivo ou outro, não conseguimos.
Um ótimo fim de semana para você.
Beijos.