domingo, 9 de março de 2008

Constelação

Série Ensaios Sobre a Ternura

Morava neste endereço um sonhador que todas as noites dormia sob uma constelação. Deixou-me de herança esta casa vazia em cujos quartos os fantasmas me confundem com ele, o desamparo das paredes sem cor, o silêncio dos gatos habituados aos fantasmas. Mas na noite, quando a casa se rende às sombras e só o sono é o trajeto da fuga, acende-se em fosforescências a insólita constelação de néon colada no teto acima da cama, ao alcance da mão. Assim, nas madrugadas, em vez de acalentar solidões, realizo o desejo ancestral de tocar as estrelas.


Ilustrado com a natureza retratada pelo menino, pelo homem primitivo, pelo gênio contemporâneo espanhol Joan Miró, que morreu no natal de 1983 e não tem a menor idéia do que está acontecendo.

3 comentários:

Caio disse...

"Meu Deus, está cheio de estrelas !"

(David Bowman, personagem de 2001, Odisséia Espacial, Arthur C.Clarke, antes de desaparecer rumo ao monolito negro, na cena final do filme.)

Maria Rojanski disse...

Tu és luminosa, mãe. E eu toda orgulho.
Te amo. Beijos

Fábio Luis Neves disse...

Da torre de Babel ao Sputnik. Velhos sonhos em preto e branco. Solitários!? O ensaio sobre a ternura. O fantástico. O toque nas estrelas...