domingo, 6 de setembro de 2009

Diálogos impossíveis

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Aos domingos eu fuço gavetas. Nem sempre encontro o que quero, mas às vezes encontro coisas possíveis, como estes diálogos impossíveis, exercícios de um tempo improvável.

I
- O que você pensou antes de morrer, Ferdinand?
- Pensei na vida...
- Passou um filme?
- Sim... de toda a vida.
- Só acontece com os suicidas?
- Isso eu não sei...
- E se eu me matasse?
- Pra ver o filme?
- Sim.
- Me deixe quieto!

II
- Se você queria me impressionar...
- Desculpe...
- Não devia ter ficado reparando...
- Eu já disse desculpe...
- No meu modo de comer.
- Mas eu percebo a velocidade de tudo...
- Ah...
- E você come a 360 quilômetros por hora.
- Fala sério!
- É científico. Você devia saber...
- Pra mim chega!
- Que um estudante de Física tem esses vícios.
- Eu vou embora...
- Ah, fica... você é tão inteligente, tão oculta...
- Tchau!

III
- Querido, o que quer dizer intermitência?
- É quando uma coisa só acontece em intervalos.
- Grandes intervalos?
- Pode ser.
- Como o sexo?
- Que sexo...?
- Da gente...
- Que livro é esse que você tá lendo?
- As Intermitências da Morte.
- Por que você não vai ler outra coisa?

13 comentários:

Alexandre Alves Neto disse...

Bem pós-moderno, nota dez no exercício.
Lulih, bom feriado.

nai ara disse...

como eu queria encontrar essas impossibilidades nas minhas gavetas. hoje em dia só encontro, em ordem de importância, meias sem par, roupas a doar e possibilidades a serem jogadas fora.

amei.

Rejane disse...

Olá!!!! Que bom que esteve no meu blog...já estou seguindo o seu...devo dizer que adorei!!!!
Sabe o que mais me chamou atenção?O título do blog...tenho este lema tatuado!rsrs
beijos...voltarei sempre!

Lulih Rojanski disse...

Alexandre,
Isso me anima a publicar outras engavetices...

Nai,
Achei uma graça suas meias sem par!

Rejane,
Então os vivas são para Guimarães Rosa. Mesmo assim, obrigada.

Z. disse...

Querida Lulih,

O filme da vida também passa pra gente,
quando a gente morre de tanto rir.

Absolutamente deliciosos os diálogos !

AbraçoZ.

luiz jorge disse...

CARA.
VOCÊ É FERA.
CRIA DE UMA MANEIRA FELINA
CUIDA DE PARIR SUAS CRIAS
AS LAMBE E AS COLORE DE UMA COR PURPURA.
QUE EMBRIGA E VICIA.
QUANDO VEJO SUA FOTO
SACO QUE PODE SER UM DISFARCE.

julio miragaia disse...

adoro diálogos curtos assim. como num filme.

aline disse...

Gosto das palavras que vejo aqui. Esse diálogo me lembra outro...

Lulih Rojanski disse...

Z,
Tomara que meu filme seja uma comédia. Um abraço.

Luiz Jorge,
Será disfarce?
Obrigada pelas vindas.

Júlio,
Que bom que voltaste por aqui.

Aline,
Sim, os insólitos diálogos do balcão. Bj.

olivia disse...

Vim ver o blog "lás". Li tudo, desde 2007!!
:)

renato disse...

Olá, Lulih!

Desculpa-me mas estive em Paris e só há dias regressei, pelo que não tive oportunidade de te dizer que a Bete encerrou, penso que temporariamente, o blog dela.

Quando a este post, está com um diálogo assaz "delicioso"! Parabéns linda Lulih!

Beijinho e B.F.S.

Renato

Fausto Suzuki disse...

Três formas charmosas de dizer "não enche o saco", pra alguém que é muito próximo. Típicos diálogos que eu gostaria de ter... E nem sei se gostaria de ser a primeira ou a segunda pessoa.

Fábio Luis Neves disse...

Lembra o Luiz Vilela, rei do diálogo pós-moderno brasileiro.
Não pare de ler as intermitências da morte nunca, nem o que costuma ler e escrever... rsrs.