quarta-feira, 7 de maio de 2008

Nalgum lugar

Poema de E. E. Cummings- um dos inventores da poesia moderna - musicado por Zeca Baleiro, para ser lido em voz alta ou para ser ouvido a todo volume, a qualquer hora do dia, seja qual for o estado de espírito, disposição, humor, endereço...

Nalgum lugar em que eu nunca estive
alegremente além de qualquer experiência
teus olhos têm o teu silêncio.
No teu gesto mais frágil
há coisas que me encerram
o que eu não ouso tocar
porque estão demasiado perto.
Teu mais ligeiro olhar
facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos
nalgum lugar.
Me abre sempre pétala por pétala
como a primavera abre
tocando sutilmente
misteriosamente
sua primeira rosa.
Ou se quiseres me ver fechado
eu e minha vida nos fecharemos
belamente, de repente
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda parte.
Nada que eu possa perceber deste universo iguala
o poder de tua intensa fragilidade
cuja textura compele-me com a cor
de teus continentes
restituindo a morte, o sempre
cada vez que respiras.
Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre
só uma parte de mim compreende
que a voz dos teus olhos
é mais profunda que todas as rosas.
Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas.

5 comentários:

Professor L.F disse...

Luli, "só faz milagres quem crê que faz milagres como transformar lágrima em canção". Zeca Baleiro pra você que escreve coisa tão delicada como a Canção da chuva. Um abraço pra ti e pras meninas.

Natália C. Corrêa disse...

Oi Luli, passei pra te dizer parabéns pelo teu blog que conheci depois que um amigo meu me falou que você era uma escritora do Amapá, que teve sua obra numa das questões do provão do nosso cursinho em Belém. Sou de Macapá e estudo aem Belém, fiquei orgulhosa de ter em nosso estado um apessoa que escreve coisas tão legais. Um grande abraço. Natália.

Professor LF disse...

Eu também nunca estive nesse 'nalgum lugar'. Cadê os novos textos??

maria rojanski disse...

É, cadê os novos textos?!

Professor l.f disse...

Você está de costas pra nós, subindo uma escada íngreme com saias superpostas, nalgum lugar.