terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O Amor nos Tempos do Cólera

Por enquanto tenho me contentado em “ouvir falar” sobre o filme O Amor nos Tempos do Cólera, mas tudo indica que meus sentidos não perdem por esperar que o filme chegue um dia ao cinema desta minha província. Meus olhos e ouvidos já se encantam com o trailer, que não canso de reprisar na internet. Antevejo em sonho o que acredito ter saído como resultado da bárbara história de amor de Florentino Ariza e Fermina Daza, personagens inesquecíveis de Gabriel García Márquez, que finalmente entregou uma de suas maiores criações a uma grande produção estrangeira. Algumas de suas obras filmadas anteriormente, como Ninguém Escreve ao Coronel, A Incrível e Triste História da Cândida Erendira e sua Avó Desalmada e A Má Hora – as duas últimas filmadas pelo brasileiro Ruy Guerra – não agradaram de todo ao escritor.
Embora Fernanda Montenegro tenha sido sondada para o papel de Fermina Daza, na maturidade da personagem, “ouvi dizer” que a secundária Trânsito Ariza, mãe de Florentino Ariza, o mocinho do filme, lhe caiu como uma luva, já que ela faz bem tudo o que faz. Outra coisa interessante no filme é a colombiana Shakira cantando La Despedida.
Estou, sim, me coçando pra ver logo o filme, e enquanto ele não mostra a cara por estas paragens, vou relendo trechos do livro. Aliás, de antemão acho que, por melhor que seja o filme, não deverá superar a beleza, a magia e a transcendência do livro mais lido de G. G. Márquez depois de Cem Anos de Solidão. Um trechinho pra revigorar os ânimos enquanto se espera...

“Florentino Ariza não deixara de pensar nela um único instante desde que Fermina Daza o rechaçou sem apelação depois de uns amores contrariados, e haviam transcorrido desde então cinqüenta e um anos, nove meses e quatro dias. Não tivera que manter a conta do esquecimento fazendo uma risca diária nas paredes de um calabouço, porque não se havia passado um dia sem que acontecesse alguma coisa que o fizesse lembrar-se dela”.

6 comentários:

those disse...

Realmente o filme e lindo, mais nao supera a obra.
Vi ontem. O cinema nao estava lotado, mais as pessoas que vao assistir esse filme geralmente conhecem o autor ou ja leram o livro.
Shakira cantando La despedida e Hay amor e um outro detalhe importante, antes de vir o filme baixei essas duas musicas e confesso nao gostei, mais na hora do filme sao lindas, e muito diferente.
Fernanda montenegro sem palavras pra ela.
Vou torcer para que seja exibido ai o filme.
um grande beijo

Fábio Luis Neves disse...

Algumas vezes assisti filmes adaptados de obras literárias antes de fazer as leituras destas, isso não foi muito bom, por que acabava lendo a obra e vendo os atores, os cenários e as fotografias em minha cabeça. A literatura é uma arte inigualável, pois esta só lhe exige concentração, o resto fica por conta da interpretação, intuição, imaginação e conhecimentos prévios do leitor. Já o cinema acaba por induzir algo que o autor da obra não gostaria, pois o cinema mobiliza a visão, a audição e a concentração do telespectador, muitas vezes utilizando mensagens subliminares. Portanto, torna-se necessário que façamos a leitura da obra previamente para compararmos com a leitura feita pelo diretor. Claro, isso quando temos muito apreço pelo autor em questão. Eu gostaria de ver todas as obras que li adaptadas para o cinema, assim poderia ver qual foi minha interpretação em relação aquela feita pelo diretor, isso seria bem legal! Mas o autor quando não gosta da interpretação feita pelos diretores expõe sua insatisfação, o que lhe é de direito, mas este às vezes se esquece que a obra não pertence mais ao autor depois de publicada e se torna de domínio público. A partir disto, a obra sempre será relida e adaptada, seja para o cinema, teatro ou televisão. Gostei deste levantamento Luli! É algo realmente muito interessante para colocarmos em discussão. Gostei do texto! Pra mim realmente a linguagem literária é insuperável!

julio miragaia disse...

acho q ainda estou sem propriedade pra comentar sobre garcia marquez. estou lendo cem anos de solidão e tendo uma ótima experiência

Luli Rojanski disse...

Queridos, já que o blogspot não nos oferece uma caixinha de resposta para os comentários, vou responder aqui...
Arethusa: não sei nem explicar o sentimento que tenho quando fico sabendo que até em Belém o filme está sendo exibido apenas em um cinema distante e pouco freqüentado, e em apenas uma sessão, a das 17 horas... Me dá vontade de perder a delicadeza que me resta!
Fábio: Pode até parecer estranho, mas torço muito para que Cem Anos de Solidão nunca seja transformado em filme. A emoção que o livro me causa em cada releitura, com o drama íntimo e solitário, e o destino singular de cada personagem, e ainda a linguagem única do realismo fantástico de G. G. Márquez são coisas que - por mais incrível que seja a arte do cinema - nunca poderão ser transportadas para a tela. Desculpe se eu exagero. Opinião de fã descontrolada! Quanto ao O Amor nos Tempos do Cólera, espero logo conferir.
Miragaia: você está lendo o que é, na minha opinião, a maior obra literária de todos os tempos. Glauber Rocha já dizia: "nada ultrapassa a imaginação de G.G. Márquez em Cem Anos de Solidão". Nada mesmo. Nada ultrapassa a imaginação, o poder de envolver, de fazer sonhar, de desvendar dentro da gente emoções incógnitas. Quando terminar, escreva sobre isso.
Um beijo a todos.

Fábio Luis Neves disse...

Luli, não acho exagero não. Também acho que Cem anos de solidão é intransferível para a linguagem cinematográfica. O resultado, por mais brilhante que fosse o diretor, não seria nada satisfatório. Concordo com suas palavras e com as do Glauber Rocha. Porém, gostaria, como estudante assíduo e inquieto de literatura, de reiterar que existem obras singulares na história da literatura universal que não podem deixar de ser citadas e lembradas como algo único no campo da imaginação. As epopéias, tais como: A Odisséia, de Homero; Os Lusíadas, de Camões; os contos maravilhosos das Mil e uma noites; e o nosso pai de todos os romances Dom Quixote de la macha. Estes são insuperáveis e estarão pra sempre no cerne do cânone literário, sendo intransferíveis para a linguagem cinematográfica. Isso sem colocar em discussão que estas obras foram escritas todas há mais de quatro séculos no mínimo, numa época em que não existia nem sequer imprensa para publicar as obras. No entanto considero o Gabriel Garcia Marques junto com o argentino Jorge Luis Borges, que também não pode ser esquecido, como os maiores escritores no campo da imaginação moderna. Concordo com o fato de existirem obras que não podem ser adaptadas para o cinema, pois estas são para o campo da imaginação e não da visão e da audição como disse no primeiro comentário, também concordo com os adjetivos dados ao Gabriel G. Márquez, escritor pelo qual possuo uma enorme admiração e que já dediquei grandes espaços diários de tempo para ler e me deliciar com suas obras. Mas acredito que este seguiu os passos desta escola literária da epopéia e do Cervantes, que foram os pioneiros e que jamais serão igualados pela arte cinematográfica, que neste um século de existência jamais produziu algo tão marcante para a História da Arte.
Abraços!

Maria Regina disse...

Lindo filme! Emocionante. Agora vou ler o livro para poder opinar melhor. Mas, de qualquer forma, a história é especial para quem já amou assim!
Um abraço